Tchello d'Barros - Eternidade - Poesia Visual - Belém-PA - 2009
06/04/2010
22/03/2010
11/03/2010
05/03/2010
04/03/2010
CASULOS: Em 12 de janeiro, pela primeira vez, borboletas saíram do casulo dentro da Estação Espacial Internacional, em gravidade zero. Foram duas só (pela foto deviam ser centenas) que conseguiram sair da fase larval, desenvolver casulos e nascerem como borboletas. Não se sabe (Ou não se sabia àquela altura, mas não encontrei notícia recente sobre o assunto, o que deve ser mal sinal) se elas conseguiriam desenvolver asas direito e voar - até onde sei as asas dependem da gravidade para desenrolar.
http://www.popsci.com/technology/article/2009-12/two-butterflies-hatch-space-first-time
http://www.popsci.com/category/tags/painted-lady-butterflies
Brontops
http://www.popsci.com/technology/article/2009-12/two-butterflies-hatch-space-first-time
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24/02/2010
"Em seu apelo constante, insistente atenção à tentativa de ser coesa num mundo incoerente, ela se dissocia do todo em silêncio. Liberta, porém, ainda presa e dividida, na batalha diária desta vida, ela grita calada em sua rotina, rotina de guerrilha pelo pão da cria, ela exala perfume doce de flor, na rotina de ser inventiva, alquimista e dançarina, ela se reinventa artista, menina-mulher, fêmea selvagem, primitiva e pós-moderna, camponesa e cosmopolita, ela se aprisiona em si mesma, pela salvação de sua consciência... e se transmuta, transforma, transcende a solidez de seu corpo como arma, sua alma, até que se abra novamente e, generosa, linda, persiga estrelas e vagalumes, e se perceba, de repente, mais leve e intensa de amor."
Calu Baroncelli
Poesia inspirada na fotoperformance Crisálida de Hugo Perucci
23/02/2010
09/02/2010
01/02/2010
"A semana de sonhos estranhos terminou, por fim, com o seguinte: eu era uma estrutura e ia sendo construído e dentro de mim alguém plantava uma árvore que observada com cuidado se mostrava uma outra coisa. E eu, essa estrutura, era parecido com essa coleção bem disposta de ossos, uma espécie de jaula. E dentro dessa jaula, um gafanhoto do tamanho de um torso nascia em mim."
Novos Estudos sobre a Natureza dos Gafanhotos
Fabiano Ramos Torres
Fabiano Ramos Torres
Ultravioleta
A fada acorda e recusa-se a despertar. Devia se espreguiçar, abrir os braços, respirar fundo, esticar as pernas, sentir o mundo com os pés... Não dá. Sono pesado demais. Então se aninha mais sob a coberta e enterra cabeça em si mesma, para impedir a luz de se infiltrar sob as pálpebras. Tenta continuar a dormir, sonhar talvez, mas não o som do bosque não deixa. Cigarras. Zumbido de zangões transitando entre anteras e nectários. Sinal de manhã quase madura, o sol pinicando a pele de quem se submete a sair nu sobre o dia. Mas ela está ali, protegida, um nenê em meio ao enxoval. Murmúrio de riacho perto. Tapete de limo nas pedras. Um avião mudo passando lá em cima. A fada sente um pouco de sede, mas ainda não quer se levantar. Deveria ter ido dormir perto do rio, ou sobre as folhas, aproveitaria para beber o orvalho. Ela tenta recordar como viera parar ali, naquele aconchego. Conclusão: acabara de se fechar na crisálida e agora só faltava nascer. Seria sair, rebentar aquela seda e se pendurar no abismo. Então esperar secar as asas, abrí-las, deixá-las na brisa. Ela sairia pelo bosque, pousando entre as flores, procurando as irmãs. Cantoria de passaredo. Brilho metálico dos colibris. Entretanto o não-nascimento implicaria no não-conhecimento do mundo. Tudo seria instinto, inocência ou ignorância. Desconheceria o dia ou a noite, ou os chamados dos insetos, ou os rastros dos jatos no azul ou o odor doce da primavera. Entre as fadas, não se fala em ressuretos ou em reencarnações. Só se conjuga o tempo presente. A fada espera o momento de arrebentar a crisálida. Mas é só delírio: ela não conseguirá. Pois ali, entre os elos e nós das teias, a fada está presa no casulo no veneno no sono de viver.
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